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quarta-feira, 2 de julho de 2008

Segunda Parte - Entrevista com Vera Egito

Vera Egito - Diretora de Espalhadas pelo Ar
Sobre a produção do filme - curta-metragem premiado no Cinesul 2008 - trailer:
http://myspacetv.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoid=29828475


4) Gostei muito da direção de arte e da fotografia do filme, como você vê essa parceria com o fotógrafo e com o diretor de arte? É fundamental haver sintonia?

A fotografia e a direção de arte tem a ver com a proposta estética definida para aquele filme. Há filmes, tristemente, que não têm proposta estética alguma, e aí a direção de arte e a fotografia viram simples questões técnicas, deixando de exercer o papel de expressão dramática que deveriam.
O Júlio Taubkin, fotógrafo e a Flávia Rebello, diretora de arte, são dois super jovens e super talentosos artistas. Durante o processo, trabalhamos em trio. As escolhas de um departamento influenciavam o outro e vice-versa. O conceito do filme foi inspirado na fase mais dourada do pintor Austríaco Gustav Klimt. Dos quadros dele vieram a paleta de cor do filme e a idéia de uma luminosidade dourada que invadia os ambientes internos.
A partir desse conceito, desenvolvemos o universo visual do filme para que tudo trabalhasse em função da estória que estávamos contando que, para mim, é o mais importante.

5) Qual você acha que é o futuro do curta-metragem brasileiro? Como você vê a produção atual?

As mostras de curtas que tenho visto nos Festivais estão realmente muito boas. Tanto na linha narrativa, quanto nas propostas de experimentação da linguagem audiovisual, os curtas tem sido muito bons. É um formato delicioso. Adoro assistir aos curtas e também tenho gostado muito de fazê-los.
Tem uma nova geração de diretores que me deixa muito animada. São realizadores talentosos, livres de verdades pré-estabelecidas, prontos pra fazer um cinema nacional de cara nova. Enfim, acho que os curtas vão bem. As vezes, bem melhor que os longas.

6) Qual a importância de festivais para a exibição de curtas? E como foi a aceitação de Espalhadas pelo Ar nos festivais? Você conseguiu entrar na maioria em que se inscreveu?

O Festival é o meio de veiculação atual da produção de curta-metragens. Afora a opção da internet, que não é o ideal para todas as produções, os Festivais são de fato onde o curta encontra com o público. E o que tenho visto é que é um encontro maravilhoso. O público dos festivais é um público que está a fim de cinema.
No caso da Espalhadas, que tem uma proposta narrativa, o contato com o público tem sido muito bom. As pessoas se envolvem com a estória, com os personagens, pelo menos é o tenho sentido.
Quanto a aprovação nos festivais, não sei ao certo. A Fernanda Patti, da Ioiô Filmes, é responsável pelo envio do filme aos festivais, então, a verdade é que não sei exatamente em qual nos inscrevemos, em qual não fomos ou fomos aceitos.
Semana passada o filme foi exibido em Valência, na Espanha. Meu irmão, Edu Egito, que é músico e vive em Barcelona, foi até lá conferir a sessão e parece que foi muito legal.
Nesse ponto o Departamento de Cinema da ECA tem sido super importante. A cópia legendada que foi a Valência, por exemplo, foi produzida pelos acordos do CTR-ECA-USP.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Terceira Parte - Entrevista com Vera Egito

Vera Egito - Diretora de Espalhadas pelo Ar
Sobre a produção do filme - curta-metragem premiado no Cinesul 2008 - trailer:http://myspacetv.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoid=29828475

7) Como você fez a preparação de atores? Qual o processo para a atriz entrar no personagem?

Trabalhei com uma adolescente não atriz, a Renata, e com uma atriz profissional, a Ana Carolina. Foi muito interessante unir essas duas maneiras de trabalhar. Uma mais intuitiva e outra mais técnica.
Para a preparação do elenco eu contei com o trabalho da Carolina Ziskind. A Carô, que escreveu o roteiro comigo, também é atriz, então foi perfeita a participação dela como preparadora de elenco já que ela conhecia o roteiro e o trabalho de ator.
A Rê fazia Veri, uma adolescente um pouco tímida, mas de muita personalidade. E a Rê é mais ou menos assim na vida real. Então o trabalho dela foi mais intuitivo, mais sensível, ela só precisava viver as situações propostas com o máximo de naturalidade possível.
Já com a Ana Carol foi diferente. Ela é uma mulher luminosa, extrovertida, divertida. E a Cora, a personagem, é uma mulher que vive um momento de reflexão,de introspecção, quase melancólica. O trabalho da Ana Carol foi o de amarrar toda essa energia vital dela para fazer uma Cora contida, observadora. Ela se saiu muito bem. É uma atriz, além de lindíssima, muito talentosa, com presença de tela.

8) Gostei principalmente de um dos planos finais do filme, em que apenas os pés de Cora aparecem e depois cai seu vestido sobre eles. O que você quis traduzir por esse plano? Era o momento máximo da transformação de Cora?

Sim. Era o momento de afirmação dessa transformação que de fato começa quando ela decide terminar o casamento. Ela se encantou pela transgressão das meninas na escada e a confirmação de sua própria liberdade era viver o que as meninas viviam. Esse plano foi muito polêmico durante o processo de montagem. Alguns colaboradores achavam um plano muito longo, achavam que não funcionava. Mas algo me dizia que essa demora em o vestido cair era justamente o melhor do plano. É bom ouvir você falando que gosta desse momento.

9) Você gosta do resultado final do filme?

Entendi que depois que o filme vai pra tela ele deixa de ser o seu bebê. A partir do processo de produção, a idéia sai da sua cabeça pra se materializar e isso implica em transformações, erros e acertos.
Gosto do resultado final. Gosto muito do filme. Às vezes vejo nele uma ingenuidade, uma pureza que poderia talvez ser negativa, mas na verdade, ela é bonita. É meu primeiro filme e o primeiro filme da equipe inteira. Foi feito com muito amor, com aquela coragem cega de primeira vez. Impossível não ter essa candura.

10) Quais são seus planos para o futuro?

Meus planos agora são filmar mais dois curtas. O primeiro é o Elo. Eu escrevi um conto no ano passado, adaptei pra roteiro e enviei pro Prêmio Estímulo de Curta-metragens do Estado de São Paulo. O roteiro foi premiado e agora estamos em fase de pré-produção na Ioiô Filmes. Filmamos em três semanas. O filme se passa em 1982 e mostra um dia muito marcante na vida de uma adolescente e do país inteiro.
O outro projeto se chama 25. Foi um roteiro que escrevi a partir de uma idéia original do Heitor Dhalia. O projeto foi premiado pelo Edital de Curta-metragens da Prefeitura de São Paulo no começo desse ano e conta a estória de um adolescente, filho de um mafioso coreano da Rua 25 de março. O 25 também é uma produção Ioiô Filmes e deve estar pronto em abril de 2009, mas ainda não temos data para a filmagem.
Esses são meus principais planos pro futuro.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Primeira Parte - Entrevista com Vera Egito

Vera Egito - Diretora de Espalhadas pelo Ar
Sobre a produção do filme - curta-metragem premiado no Cinesul 2008 - trailer:


1) O que motivou você a fazer de Espalhadas pelo Ar um filme tão voltado para o universo feminino?

O filme começou com a imagem das meninas fumando de calcinha e sutien nas escadas de emergência de um prédio. Uma amiga havia me dito que fazia isso com treze anos e não pude deixar de pensar que isso era a cena de um filme. Chamei Carolina Ziskind, minha amiga e colega de sala na ECA, para desenvolver uma estória a partir dessa imagem e aí nasceu o Espalhadas pelo Ar.
Sobre o fato de retratar o universo feminino, não sei muito bem o que explicar, porque não vejo isso como algo incomum, digno de esclarecimento. Acho que a maioria das estórias tem como personagens principais figuras masculinas por que a maioria dos autores é homem. E é muito natural escrever sobre o próprio universo. Imagino que a medida que mais mulheres autoras entrem em cena, mais comum será vermos mulheres como protagonistas de estórias. Claro que isso não é uma lei. Um dos meus próximos projetos tem como protagonista um menino de dezoito anos. Talvez ele seja um menino com um universo feminino. Não acredito que possamos fugir de nossa referencias pessoais quando criamos.

2) Como foi a produção do curta? Como foi o processo para conseguir realizar o filme em parceria com a Ioiô filmes e etc?


Todo ano o Departamento de Cinema, Rádio e TV da ECA-USP produz um curta-metragem em 35mm como trabalho de conclusão de curso de um aluno ou de um grupo de alunos. Passamos um semestre analisando os projetos em sala de aula até que, ao final do processo, a comissão de Professores escolhe qual roteiro será realizado. Em 2006, o Espalhadas pelo Ar foi o projeto eleito. A equipe é feita essencialmente por alunos do Audiovisual da ECA, sendo os chefes de equipe pertencentes ao ano em formatura. O projeto foi meu trabalho de conclusão de curso. Foi filmado em janeiro de 2007 e estreou no mesmo ano, em novembro, no Festival de Brasília.
A Ioiô Filmes entrou no projeto algumas semanas antes da filmagem. Eu enviei o roteiro ao Lorenzo Giunta, sócio e Produtor executivo da Ioiô, e ele me respondeu dizendo que tinha interesse em participar da produção. Como naquela altura já tínhamos câmera, negativo, equipamento de luz e locações, tudo fechado a partir de acordos de parceria entre a ECA e empresas colaboradoras, a Ioiô entrou como co-produtora. A participação da Ioiô foi essencial especialmente na finalização e distribuição do filme. Eles acreditaram no trabalho daquela trupe de estudantes e os meus próximos dois filmes serão feitos lá. É uma parceria muito legal.

3) Você acha que as personagens femininas são mais fortes do que as masculinas, e que por isso é mais interessante criar uma protagonista mulher? Você acha, que como mulher ela tem mais a dizer?

Acho que é mais ou menos o que eu disse na primeira questão. Acho o ser humano o assunto mais interessante que existe. Homens e mulheres. O Espalhadas fala de mulheres por que era essa a estória que devia ser contada naquele momento. Acho que como autora eu tenho propriedade para falar no tema mas acho que isso não é uma regra. Penso agora em Almodóvar e Bergman e sinto que no fundo esse sexismo é uma bobagem. Todos temos capacidade de falar sobre experiências humanas independente do gênero a que pertencemos.
Claro que, como mulher, gosto de ver estórias femininas na tela pelo simples prazer da identificação. Mas entre os personagens que mais me marcaram na vida estão, sem dúvida, tanto homens quanto mulheres.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Espalhadas pelo Ar - Filme



Clique aqui para assistir ao filme




Diretora: Vera Egito
Elenco: Ana Carolina Lima, Estevan Santos, Renata Torralba Horta
Ano: 2007 - 15 min - Cor - 35mm - Brasil


Sinopse: Nas escadas de serviço de um prédio residencial, meninas fumam escondido dos pais. Tiram suas roupas, para evitar que o cheiro de fumaça as denuncie. CORA tem 30 anos. Ela mora no mesmo prédio que as meninas e está presa em um casamento infeliz. A mulher surpreende as meninas fumando. A partir daí, inicia seu caminho à liberdade.
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O BLOG CURTAS entrevistou a diretora Vera Egito - para ler a entrevista clique:
Texto sobre o filme pelo BLOG CURTAS: